Hailey Bieber que apareceu estonteante na capa da Vogue India, meio a pandemia, concedeu uma entrevista à Akanksha Kamath para que fizessem sua matéria. E vocês podem conferir agora na íntegra:

Você conhece aquela música? “Alta e bronzeada, jovem e adorável, a garota de Ipanema vai andando…”– São 21h da noite nas Bahamas e Hailey Bieber ainda tem seu biquíni azul-marinho agarrado ao seu corpo enquanto ela cita a performance do Frank Sinatra, The girl from Ipanema (A Garota de Ipanema).

“Eu sempre me perguntei, você sabe, quem é essa garota de Ipanema? O que ela incorpora? Francamente, poderia se parecer com alguém assim: bronzeada, segura de si e sem se importar com muito”. Eu não estou surpresa por sua escolha de roupa, mesmo que seja para uma entrevista de uma capa de revista. Como um de seus 28 milhões de seguidores do Instagram, no dia dessa postagem, eu sei bem que quando tiver uma chance, essa modelo e ícone jovem de 23 anos metade brasileira (e completamente Nova Iorquina) sempre vai achar seu caminho para a praia.

MUDANÇA RADICAL

Essa é uma entrevista rara por vários motivos. Primeiro, nós estamos conversando através da tela de um celular e de um notebook por conta da pandemia, que induziu uma quarentena pro mundo todo. Segundo, mesmo que Bieber esteja em um clima mais calmo no Caribe — ela deixou Los Angeles com sua família “saindo seguramente com verificações de temperatura e muito equipamento de proteção individual”, suas redes sociais estão cheias de postagens sobre a política americana e injustiça social. Seus posts provocam cidadãos a votarem e suas streams no IGTV estão abertas, com conversas vulneráveis sobre raças e desigualdade.

Nós passamos por esse tópico, mas ela já entra de vez: é claro que Bieber tem uma quantidade saudável de raiva pelo estado atual das coisas. Em uma de suas confissões em sua legenda no Instagram, ela diz: “Como uma mulher branca, eu sei que sou privilegiada… Eu nunca vou entender como é ser discriminada racialmente e ser feita de alvo e acordar incerta se eu posso perder minha vida por causa da cor da minha pele”. Com mais de 28 milhões em um único IGTV, e uma série de comentários positivo transcritos em emojis e afirmações, ela realizou cinco conversas similares com outros da indústria e experts.

“Era hora de olhar pra dentro e refletir: o que eu não sei, o que eu preciso perguntar, como eu posso mostrar minha voz e fazer o melhor que posso pra ser uma aliada no movimento Vidas Negras Importam?” ela pergunta, certa que suas crianças vão ser diferentes. “Eles vão crescer sabendo como tratar pessoas, porque nós não dizemos certas coisas, porque nós respeitamos e reconhecemos e damos crédito a quem merece.”

ERA DA INFLUÊNCIA

Expressiva é fácil para a modelo da geração Z, apresentadora de TV e filha de astro (seu pai é Stephen Baldwin e seu tio é Alec), e agora esposa de cantor e realeza da cultura pop Justin Bieber, com quem ela casou Setembro do ano passado. “Para ser honesta, eu não acho que sou famosa”. Ela cresceu em Tucson, Arizona, onde estudar em casa e ser dançarina de balé profissional ocupavam seus dias, até uma lesão no pé que a levou a moda. “Claro, eu sabia que meu pai era ator e era famoso, mas se você comparar como eu cresci e como Justin cresceu, ele teve uma experiência de “famoso” muito mais maluca. Já eu pude crescer e tirar carteira de motorista e ser normal até os últimos 3 anos da minha vida.”

Nos últimos três anos o mundo realmente viu mais de Hailey Bieber — na capa de nove edições internacionais da Vogue (essa é a décima); como o rosto de Tommy Hilfiger, Calvin Klein, Adidas e Levi’s. (“Eu adoraria colaborar com o Anthony Vaccarello da Saint Laurent. O look de látex que eu estou usando para as fotos é tudo.”); quebrou a internet vestida de Princesa Diana (“Ela estava muito a frente do seu tempo na maneira que misturava estilos não convencionais”); férias com seu grupo de amigas super modelos, as Hadid-Jenners (“Nós nos inspiramos muito na maneira como nos vestimos”); casada com um homem cujas próprias lealdades atraem tantos manifestantes quanto imitadores (“Nem todos vão concordar comigo, mas eu acho que ele pode fazer qualquer coisa”). Considerando, por exemplo, seu visual de quando foi propor Hailey em casamento usando suas, agora, icônicas meias e chinelos de hotel descartáveis. Ela rouba as roupas dele, eu pergunto? “Principalmente suas meias”– Ela ri. Ele gosta do que ela escuta? “Na verdade eu o apresentei um artista novo legal que ele não conhecia, chamado Giveon. Nós estamos realmente na vibe dele agora.”

UM PONTO DE CADA VEZ

De todos seus contemporâneos, o estilo da Bieber talvez seja o mais caprichado estéticamente, de alta categoria e muito legal. Ela pode usar, uma blusa casual com um par de moletoms e salto alto, mas pode imediamente ir para um vestido sexy. E assim que você acha que ela usou de tudo, ela vai sair com um moletom tie-dye que você pode jurar que viu o marido dela usar uma semana antes. ‘Eu nunca fui uma pessoa que acha um item na seção masculina e diz “Oh eu nunca vou comprar isso porque é para homens’. Eu uso muitos ternos de homens e amo misturar as silhuetas masculinas com grandes jaquetas e calças largas no meu estilo,” ela diz, citando Saint Laurent, Bottega Veneta, Jacquemus, Balenciaga e Phoebe Philo’s Celine como fundamentais para seu closet.

É fácil definir o estilo de vida de Bieber porque, de várias maneiras, ela cresceu no tapete vermelho. Tem várias fotos de paparazzis online, desde a pré-adolescente estranha na premiere do filme mais recente de seu pai até recentemente, em um vestido rosa de Alexander Wang no Met Gala. Uma peça, no entanto, parece que se tornou parte dela: a jaqueta de couro. Na quarentena, ela revivou um número vintage enquanto montava seu closet. “Eu não sei a marca, mas eu usei no Coachella um ano e fiquei com ela desde então. É uma ótima jaqueta de couro, bem anos 90 e grande”, suas mãos tatuadas desenham formas enquanto ela explica. “É o tipo de jaqueta que eu passaria para meu filho”, ela acrescente no final.

O CRESCIMENTO

No isolamento, os projetos eram poucos e distantes e como acontece com qualquer um que assume dois voos transatlânticos por semana – e morando entre três casas em Ontário, Los Angeles e Nova York – uma pausa foi uma recepção calorosa.”Eu queria sair melhor do que entrei”, ela me diz. Por isso, ela passou os dias estudando livros sobre cuidados com a pele e dermatologia, máscaras de abacate e coco, e lendo os rótulos dos ingredientes dos frascos para encontrar seu novo melhor amigo da pele: Niacinamida. Para aqueles que estão já com caras de confusos por causa da palavra, minhas notas apressadas dizem: ‘Hailey diz ótimo antioxidante. Ajuda a diminuir os poros. Use diariamente.”

Em uma estranha virada de eventos, alimentada em parte pela mudança do mundo da modelagem no isolamento, Bieber escolheu fazer sua própria maquiagem no dia da sessão. “Eu conheço as cores que funcionam para a minha pele, então eu não teria feito de outra forma”- diz ela, como se sentar e tornar-se sua própria maquiadora por horas antes de uma sessão de fotos fosse a anomalia daqui. Mesmo que seja algo, ou um nível acima de segurança, é importante notar que as habilidades com o aperfeiçoamento no DIY podem provavelmente se tornar um novo normal pós-pandemia. E Bieber chegou primeiro lá.

GLÓRIA DA CIDADE NATAL

Quando não está trabalhando como uma especialista em peles em quarentena, a modelo também explora sua herança brasileira em grande estilo. “Minha mãe é brasileira, eu cresci em uma casa onde ela e minha avó só usavam produtos orgânicos, desde tintas de cabelo até produtos de beleza. Eu estive em volta da natureza e da beleza ‘limpa’ por toda minha vida”. A beleza brasileira é algo que surge com frequência em nossas conversas. Bieber se refere à também modelo brasileira Gisele Bündchen como seu ícone de todos os tempos. Os toques comuns estão bem ali para serem vistos: pele e cabelos dourados, como se tocados pelo sol, membros longos e emotivos e uma vibração calorosa que oscila entre a calma e a despreocupação. Bündchen é uma supermodelo de sucesso, mas sem fazer de modelagem seu meio. Da mesma forma, o espírito de Bieber como modelo e it-girl é baseado mais na liberdade da moda do que na aspiração dela e, um dia, talvez possa encontrar a energia para um design próprio.Alguém bate na porta. Ela se desculpa, atende e toma um gole rápido de água para se hidratar. Eu sou lembrada de fazer o mesmo, e em poucos instantes estamos de volta ao Brasil, a parada única de Bieber para inspiração infinita. “Há imagens online, fotografias da praia de Ipanema nos anos 70, onde lindas e despreocupadas mulheres brasileiras em roupas de banho estão aproveitando o sol. Eu olho para elas e vejo mulheres saudáveis e divertidas, e é tudo que eu quero ser.”

Fonte: Vogue Índia